O contexto da ruptura | 05/05/20

Bom dia!

Robôs e drones ganham espaço novo na economia Low Touch e abrem oportunidades incríveis para repensar negócios em um mundo no qual a falta de confiança na higiene de pessoas e produtos só perde para a ansiedade e depressão na escala das 10 tendências de mudança do comportamento do consumidor. Boa leitura.

Drones, Robôs e a economia low-touch 

Em um mundo Low Touch (baixo contato), o crescimento da adoção de drones e robôs é inevitável. Sinais dessa aceleração aparecem por todos os lugares. Um artigo publicado pela Sifted, sobre o mercado europeu e norte-americano, mostra que as empresas que produzem tais criaturas estão trabalhando como loucas para suprir a demanda. E aí passamos a ver coisas divertidas, como Marley, o robô separador de comida da startup inglesa Karakuki, eleita uma das Top 50 startups globais de retail em 2020.

Outro exemplo é a Starship Technologies, empresa estoniana criada em 2014 por Ahti Heinla e Janus Friis, cofundadores do Skype, (ah Estônia, esse país inovador), que fabrica o robô autônomo entregador Starship. Ele pode ser visto em ação em mais de 100 cidades de 20 diferentes países, entregando livros em universidades norte-americanas ou compras de mercearia e comida nas ruas de Milton Keynes, uma pequena cidade perto de Londres. 

Os drones, que se destacam no imaginário popular até agora muito mais pelo seu uso militar, recreativo, ou, mais recentemente, de vigilância e combate à Covid-19, agora entram nesse futuro Low Touch como elementos importantes no ecossistema de várias verticais econômicas. O estudo sobre o mercado de Drones feito pela CompTIA, aponta tendências relevantes - incluindo mudanças regulatórias fundamentais - que podem gerar inovações estratégicas para muitos negócios. Se levar em conta que o estudo foi feito antes da pandemia, coloque aí um boost para todos os números que relatamos abaixo.

A projeção da Drone Industry Insights é a de que esse mercado chegará a US$ 43,1 bilhões em 2024, o triplo do tamanho do mercado em 2018. O engajamento da indústria com esses novos devices foi medido pela CompTIA em pesquisa junto às empresas usuárias. Um terço delas (33%) já considera os drones com mais um elemento do negócio e as mudanças regulatórias são vistas por 66% das empresas ouvidas como um dos elementos primários para ampliar seu uso.

Um relatório da consultoria de business design e inovação estratégica Board of Innovation, aborda a Low Touch Economy apontando 10 mudanças importantes no comportamento do consumidor e criando uma matriz de análise de impactos diretos e indiretos nos negócios em um prazo de seis meses a três anos. O aumento do uso de robôs e drones, por exemplo, é sinalizado pelo segundo e sétimo itens da lista de 10 mudanças - confiança reduzida na higiene de pessoas e produtos; entrega em casa ou retirada de praticamente tudo.

A economia Low Touch é um dos efeitos cascata da Covid-19 (um problema com o qual vamos ter de conviver por muito tempo). Ela abre desafios, mas também grandes oportunidades para os negócios tradicionais e novos empreendimentos. Ela é uma combinação de mudanças de comportamento do consumidor com mudanças regulatórias, fiscais e econômicas em um ambiente ainda muito volátil e incerto. É o pós-Tsunami, vamos combinar.

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Qual o real significado de ter valor econômico?

Para os economistas, a produtividade tem a ver com a criação de valor, idealmente através dos produtos e serviços que as pessoas desejam e precisam. O que levou as economias modernas a recompensarem atividades que extraem valor em vez de criá-lo, explica Mariana Mazzucato, professora do UCL Institute for Innovation and Public Purpose e autora do livro The Value of Everything”.
 
Segundo ela, é comum certos atores da economia se retratarem como criadores de valor, enquanto na realidade estão apenas movendo o valor existente ou, pior ainda, destruindo-o. Muitas vezes, esses atores confundem valor com preço, o que afeta como as pessoas estruturam a produção. Alterar a perspectiva do valor abre novas possibilidades. Para isso a sociedade deve reformular como define e mede valor e produto. Também deve evitar confundir extração de valor com criação de valor.

Biometalurgia a serviço da reciclagem 

O mundo produz 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano - o equivalente a 4.500 torres Eiffel de computadores antigos, telas descartadas, smartphones quebrados e tablets danificados. O lixo eletrônico é o que mais cresce no mundo, mas também é o que detém metais cruciais para a tecnologia que em breve poderão se tornar escassos.
 
A solução para acelerar a reciclagem pode estar no menor dos organismos: os micróbios, capazes de extrair metais como cobalto, ouro e platina dos dispositivos que jogamos nos aterros sanitários. É neles que a startup neozelandesa Mint Innovation confia para extrair ouro de placas de circuito impresso, pentes de memória, processadores e outras partes metálicas de dispositivos eletrônicos.

A startup está desenvolvendo processos de recuperação que usam produtos químicos baratos e microorganismos proprietários para concentrar metais específicos em condições ambientalmente benignas.
 

O manual da crise

A pandemia é um bom teste para os negócios, porque as regras anteriores eram para o espaço e menos baixas de negócios válidas. O que fazer? Laura Constantini, co-fundadora da Astella Investimentos, conversa com pessoas sobre os caminhos para garantir a sobrevivência das empresas e aproveitar as oportunidades. Ouça .

Por que as senhas ainda existem?

Cresce entre as empresas a noção de que a autenticação não é um evento único. Está, sim, cada vez mais relacionada à experiência do cliente e sua jornada de uso de produtos e serviços digitais. Mas, com 60% dos incidentes de hackers envolvendo o uso de credenciais roubadas, como essas empresas podem usar a autenticação para fornecer proteção adicional e uma melhor experiência?
 
O infográfico acima é parte de um relatório especial da Raconteur,
"Future of Authentication", publicado no The Times, que também explora as preocupações éticas e de privacidade que envolvem a biometria comportamental e as falhas na tecnologia de identificação por voz.  Ele resume as várias maneiras pelas quais as empresas estão identificando funcionários e protegendo a organização em geral, e como estão adotando medidas para melhorar a resiliência cibernética.

Enfim, a regulamentação do Open Banking no Brasil

O Banco Central e o Conselho Monetário  Nacional publicaram nesta segunda-feira, 04/05, a resolução que regulamenta o Open Banking no Brasil. Uma das principais apostas do BC para baixar a taxa de juros cobrada pelos bancos e incentivar a competição no mercado de crédito.
 
Na opinião dos reguladores, quanto mais informações as instituições financeiras têm à sua disposição sobre potenciais clientes, mais seguras elas se sentirão para oferecer empréstimos mais baratos. Por isso, o BC quer que os bancos compartilhem entre si dados como a renda dos clientes e o histórico de crédito, desde que haja consentimento prévio do cliente.
 
O modelo será obrigatório para os grandes e médios bancos, classificados pelos Banco Central como S1 e S2. Já os demais agentes de mercado, como fintechs, têm entrada optativa, mas uma vez dentro têm que compartilhar informações. 
 
O cronograma de implementação anunciado tem os seguintes prazos:
 
Fase 1: Compartilhamento de informações sobre produtos e serviços por instituições participantes (prazo final em novembro de 2020);
Fase 2: Compartilhamento de dados básicos do cliente e transações (prazo final em maio de 2021);
Fase 3: Início dos pagamentos (prazo final em agosto de 2021);
Fase 4: Implementação de um escopo mais amplo de compartilhamento de dados, levando em conta pensões, câmbio, seguros, produtos de investimento, entre outros (Prazo final em outubro de 2021).
 
A receptividade foi boa. Na opinião de vários players, incluindo fintechs, reforçar o compromisso com o Open Banking, mesmo em um contexto pandêmico, é um sinal muito positivo, e coloca o Brasil em uma posição importante no contexto global da inovação financeira.
 
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