O contexto da ruptura | 11/06/20

Bom dia!
O Brasil subiu 17 posições no ranking de hubs de inovação da StartupBlink e entrou para a lista dos Top 20 globais (entre 100 países). E o turismo começa a se reinventar no mundo pós-Covid.

Boa leitura, boa semana.

Um novo mapa global de hubs de inovação 

No meio de uma pandemia, nenhuma informação é mais importante do que aquela que aponta o crescimento das iniciativas de inovação tecnológica, seja para a saúde (vacinas, remédios e tratamentos contra a Covid-19) seja para qualquer outra vertical da economia global.

Por isso, o lançamento da terceira edição do Startup Ecosystem Rankings 2020, o estudo da StartupBlink que usa algoritmos para mapear e classificar hubs de inovação, analisando diferentes fontes de dados de 1.000 cidades e 100 países, é uma notícia muito boa. Melhor ainda para o Brasil.

Depois de amargar uma semana de subida vertiginosa em uma lista na qual nenhum país gostaria de estar no topo (o mapa da Covid-19 da Johns Hopkins), é bom ver que o país saltou 17 posições no ranking da StartupBlink, e assumiu o 20º lugar entre os 100 países, e o primeiro lugar na lista da América Latina.

No ranking das cidades, a notícia boa é ter São Paulo como a única cidade da América Latina entre as top 40 (ficou em 18º lugar). A má notícia é que outras cidades brasileiras que estavam bem posicionadas em 2019 caíram: Rio de Janeiro caiu 29 posições e ficou em 93º lugar; Belo Horizonte desceu da posição 70 em 2019 para 101 em 2020.

No total por país, o Brasil tem 29 cidades no ranking de 1.000, o que nos coloca em sétimo lugar na lista dos países com maior número de cidades com impacto em inovação. O mapa da StartupBlink tem apenas 942 startups brasileiras identificadas

  • A metodologia da Startup Blink utiliza algoritmos de análise e classificação de dados para criar os rankings, partindo de um modelo de classificação que utiliza diferentes fontes e bases de dados (entre elas o Crunchbase), mas exclui entrevistas ou votações, preferindo um caminho analítico para identificar os hubs.
     
  • Três fatores afetam o ranking e a mensuração dos hubs: quantidade de startups e organizações de suporte; qualidade das startups e do ecossistema de suporte; ambiente de negócios e infraestrutura.
     
  • A StartupBlink montou um novo mapa de inovação focado na Covid-19 que identifica iniciativas globais ligadas a diferentes aspectos, do diagnóstico e tratamento, até o que eles chamam de Life & Business Adaptation (novos modelos de negócio pós-covid).
     
  • O Coronavirus Innovation Map é dinâmico e está sendo montado com apoio da Health Innovation Exchange da UNAIDS e da Moscow Agency of Innovations. Até agora estão mapeadas 1.030 iniciativas, sendo 11 no Brasil.
     
  • Ah! Um estudo da Distrito mostra que as startups brasileiras receberam US$ 36 milhões em investimentos em maio. 
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Covid, inovação e liberdade

A inovação é o fato mais importante sobre o mundo moderno, mas um dos menos bem compreendidos. Produto de pessoas livres trocando ideias livremente. Explode inexoravelmente e inevitavelmente se permitirmos às pessoas a liberdade de experimentar e tentar novas ideias. No entanto, continua sendo um processo misterioso, mal compreendido pelos formuladores de políticas e empresários. Há áreas onde ela tem sido insuficiente, e a pandemia nos lembrou disso.
 
Em resumo, é sobre esses pontos, abordados em seu mais recente livro “How Innovation Works: And Why It Flourishes in Freedom”, que Matt Ridley conversa com Michael Brant Shermer, fundador da Skeptic Magazine. Ridley é otimista. Acredita que a Covid-19 fará governos e corporações levarem mais a sério a necessidade de inovação. E consolidará a maneira como pensamos sobre ela: um processo incremental, que acontece como resultado direto do hábito humano de troca. Portanto, sempre um fenômeno coletivo e colaborativo.
 
A maneira mais segura de redescobrir o rápido crescimento econômico, quando a pandemia terminar, será estudar os atrasos e obstáculos regulatórios à inovação, que foram rapidamente retirados agora para ajudar os inovadores em dispositivos e terapias médicas, e verificar se certas reformas poderiam ser aplicadas a problemas de outros segmentos”, diz ele, lembrando que um grande obstáculo à inovação é o ritmo lento do licenciamento regulatório.
 
Como apontou o investidor Peter Thiel, anos atrás, a inovação agora é amplamente um fenômeno digital porque os bits são levemente regulados e os átomos fortemente regulados. “É possível que possamos estar entrando em um período em que as coisas darão mais errado do que certo, mas tenho certeza que, na verdade, isso será um estímulo para inovação e novas práticas. Novas formas de conversa, novas maneiras de fazer negócios, novos dispositivos, novos gadgets, novas tecnologias que resultarão em maior prosperidade globalmente nos próximos anos”.

 

Podcast The Shift - episódio 32

Para fazer a inovação acontecer, e continuar acelerando mesmo com toda a equipe remota, Carolina Sevciuc, diretora de Transformação Digital e Inovação da Nestlé, diz que é preciso juntar gente, pensamento criativo e tecnologia. Entre o Be Digital e o Go Digital, Carol aposta no desconforto positivo que transforma a companhia. Ouve lá!

Agile no home office

Muita gente tem se perguntado sobre a viabilidade da aplicação de metodologias ágeis com times operando de forma distribuída. Como encontrar alternativas aos cafezinhos e almoços, em que as equipes conversam sobre diversos assuntos e, invariavelmente, encontram soluções para problemas que pareciam insolúveis?
 
Colaboração, comunicação aberta, confiança, independência, eficiência e entrega contínua são a base do Agile. E, de fato, tem sido desafiador replicar de forma remota as reuniões stand up diárias e outras tarefas presenciais.
 
A boa notícia é que as ferramentas remotas evoluíram muito. E as equipes ágeis obrigadas a trabalhar de forma distribuída por conta da pandemia estão apresentando resultados impressionantes, como demonstra o quadro acima, com dados do Standish Group. A experiência recente sugere que as vantagens do Agile se expandem quando as equipes trabalham remotamente.
 
E embora seja improvável que equipes remotas do Agile continuem sendo a norma depois que a pandemia de Covid-19 diminuir, elas ensinaram algo importante para os times de inovação, que pode mudar permanentemente partes do processo.

As viagens não serão como antes

À medida que o mundo retorna lentamente do distanciamento social imposto pela Covid-19, uma competição lenta, porém intensa, começa a se estabelecer pelos dólares dos turistas estrangeiros. Mas as viagens serão diferentes
 
Algumas tendências imediatas deverão persistir por algum tempo. As proibições de viagens internacionais e o sentimento de insegurança associados a voos e aeroportos farão com que o turismo se direcione ao mercado doméstico. A privacidade das viagens será muito mais importante a partir de agora. O transporte coletivo (especialmente o aéreo) e a indústria do entretenimento (museus, festivais, shows, bares e boates) serão previsivelmente afetados por essa nova realidade. Preocupada, a Organização Mundial do Turismo emitiu uma série de recomendações.

Na Europa, por exemplo, o alívio das medidas de bloqueio desempenhará um papel fundamental na recuperação da temporada de verão, mas os turistas enfrentarão uma complicada colcha de retalhos de regras e orientações. Para ajudar os europeus a navegar nas águas turvas dos direitos e restrições de viagens após a Covid-19, a UE está lançando um guia com as informações mais recentes dos estados membros e operadores de viagens.
 
Um segmento, em especial, espera contar com o auxílio da tecnologia para continuar oferecendo comodidade aos viajantes: a hotelaria. Claro, as mesmas tecnologias podem ser aplicadas também a espaços como escritórios, restaurantes, navios de cruzeiro, etc.

Por exemplo, robôs de limpeza, como os da startup Xenex Disinfection Services; robôs para serviços de quarto, como os da Café X e da Pazzi;  concierge mobile, para proporcionar experiências verdadeiramente sem contato, como auto-check-in, pagamentos no aplicativo ou comunicação com a recepção; controles de elevadores ativados por voz ou gestos; reconhecimento de voz e de face para confirmação da identidade dos hóspedes, verificação de temperatura ou resposta a perguntas durante o auto check-in; e por aí vai.
 
Além de reduzir riscos de contaminação, essas tecnologias ajudarão os hotéis a personalizar a experiência do hóspede, automatizar suas operações e criar novos fluxos de receita.
  • Para abraçar a mudança digital e crescer, o setor de turismo deve ser social, local e móvel. É o que nos ensina a China.
     
  • No Brasil, a pesquisa "O legado da quarentena para o consumo", do BTGPactual, revela que está sendo um dos setores mais afetados pela crise de Covid-19. Segundo dados da CNC, o setor perdeu R$ 11,96 bilhões em volume de receitas na segunda quinzena de março – queda de 84% em relação ao mesmo período do ano passado.

Garimpo do dia

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