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nº 5 

 

Terremotos na lua, a biblioteca de ensaios e os fantasmas no rádio

 

I


A Lua está doente. Enquanto se afasta 3,15 centímetros da Terra a cada ano, nosso satélite natural sofre uma espécie de cólica sísmica: centenas de terremotos. É o que mostra um estudo da NASA. Os caras juntaram dados coletados pelos instrumentos deixados naquelas viagens vintage, filmadas pelo Kubrick, nos anos 60, com estudos mais recentes. Eu não sei se alguém filmou esses estudos mais recentes. Mas sei que o satélite arrefeceu nesses MILÊNIOS, e foi se enrugando. Tipo uma uva passa. Essa compressão empurra as placas sísmicas umas sobre as outras e abre fissuras gigantescas. Nada que a gente possa CONTEMPLAR pela janela numa sexta- feira melancólica sem grana.
 
A vida da Lua nunca foi fácil. Se você é mais ou menos curioso sabe que O ASTRO NOTURNO sem luz própria surgiu há mais ou menos 4,6 bilhões de anos atrás, numa treta sinistra: um gigantesco asteroide, mais ou menos do tamanho de Marte, chocou-se contra a Terra. Não havia grande coisa por aqui. O sistema solar era tudo mato e ainda mais bagunçado que o trânsito de Nova Delhi: planetas e cometas em chamas batendo cabeça e explodindo POR TODA A PARTE e o TEMPO TODO. Uma festa grunge com cerveja quente num porão no auge dos anos 90. Nosso pálido ponto azul nem era azul: apenas uma rocha incandescente e inóspita vagando e rodopiando como um pião SEM LEI pelo espaço recém-criado, numa vibe tipo MEU COSMO MINHAS REGRAS. Mas essa grande BATIDA talvez tenha sido a maior GUINADA na história do surgimento das frágeis condições propícias para a vida, aqui, nesse nosso minúsculo e insignificante planeta. Parte dos restos desse choque espacial se juntaram sob efeito da gravidade. E formaram a Lua. Uma espécie de ruína, caco, poeira e restos da Terra. Poeira ESTRELAR. E se você não cochilou nas aulas de Física e Geografia, sabe como o surgimento da Lua desacelerou O GIRO da Terra e é fundamental nos ciclos naturais, como o controle das marés e correntes marítimas, que mantêm esse planetinha de merda funcionando.

E pra entender um pouco desses TREMELIQUES da Lua, e só dar uma olhada nessa matéria do The Independent. 
 

II


Adoro histórias de assombração. Fui EDUCADO por elas. Achei sensacional esse podcast da Pública, Histórias que ninguém te conta, com as jornalistas Mariana Simões e Gabriele Roza. É a melhor coisa que eu vi na internet nesse ano apocalíptico. O primeiro episódio é sobre ossadas encontradas no porto do Cais de Velongo. As duas repórteres “caminham pelo porto em busca de fatos e marcos da época da escravidão, e se deparam com fantasmas que ainda assombram o porto e a memória coletiva dos brasileiros”. Fantasmas que assombram a memória coletiva é basicamente MEU OBJETO de pesquisa.
 

III


Tá todo mundo QUEBRADO e os livros de ensaios geralmente são as coisas mais SALGADAS que existem nas livrarias. Isso quando há tradução. Vida de pesquisador nesse país é pior do que de cristão antes de Constantino. Se tava ruim com os valores das bolsas defasados em pelo menos uma década, agora que fazer ciência é tipo VENDER MINHA ARTE NA PRAIA, doutorado, só BÍBLICO. Por isso a gente precisa celebrar a iniciativa da Laura Erber, da Zazie Edições, que tá distribuindo PDF MAROTO E INÉDITO E DENTRO DA LEI de uma turma de pensador e ensaísta BARRA PESADA. O nome do projeto é Pequena biblioteca de ensaios. Já são vinte livros. Só coisa fina.
 
***
Voltando ao tema da desigualdade, não deixe de ler com atenção a última coluna da Rosana-Pinheiro Machado, no The Intercept:

“Este texto começou há dez anos, quando vi um estudante rico debochar de um porteiro que se queixava de dor de dente. ‘Que coisa mais jurássica! Isso ainda existe?’, ele disse. Naqueles dias, eu e a antropóloga Lucia Scalco começávamos nossa pesquisa etnográfica sobre consumo e política na periferia do Morro da Cruz, Porto Alegre. Recém havíamos conhecido Juremir, hoje com 52 anos, que não teve dinheiro para pagar um dentista, e a solução encontrada foi colocar álcool na boca para lidar com a dor até o nervo necrosar.”

 

Livros 


Já citei aqui o manual do Assis Brasil, Como escrever ficção. Mas se você não tem oitenta dinheiros para desembolsar, e quer umas dicas de como melhorar seu texto, eu recomendo o perfil da Anita Deak, no Insta. É basicamente um curso grátis, dinâmico, onde de vez em quando aparece a Anita carregando uma pizza e o Thiago jogando FIFA, uns gatos, psicanálise e o Gael bebendo vinho com cabelo samurai. Aprecie com moderação.
 

Egopress


Todo mundo na rua amanhã?



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