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Desvelar #6 - raça e tecnologias da saúde

Olá! Espero que estejam bem.  Durante o esforço de distanciamento social/físico na crise do vírus Corona COVID-19, direcionarei parte do espaço da newsletter a indicar conteúdos sobre a relação entre raça e variáveis pertinentes a este contexto: saúde pública, epidemiologia, ensino à distância, trabalho digital e outros temas. Hoje vamos relembrar a importante - e subnotificada, sub-estudada - relação entre práticas médicas, raça e racismo. Cuidem-se, sigam as recomendações da OMS e compartilhem carinho e amor.
NOTÍCIAS E CONTEÚDOS NOVOS
Material introdutório sobre Filosofia Africana
O pesquisador Rodrigo Sousa disponibilizou o material FIlosofia Africana: a presença do futuro também ancestral. É uma introdução à filosofia africana voltada a  estudantes de 15 a 18 anos, sobretudo do ensino médio. Use em sala de aula e indique a seus amigos professores!  Disponível em PDF ou em formato de Instagram
Pensamento Computacional e suas relações - Parte 1
Ana Carolina da Hora está lançando um guia com compilado de perguntas sobre Pensamento Computacional e seu uso com o fim de ajudar na popularização e utilização do conceitos em diferentes esferas e ambientes educacionais.
SAÚDE PÚBLICA E SUPREMACIA BRANCA
Pioneiro na ginecologia ocidental torturou mulheres negras escravizadas em experimentos
Pioneiro da ginecologia no século XIX, cientista James Sims torturou mulheres negras para realizar seus experimentos. Visto como herói impoluto até recentemente, teve estátua retirada do Central Park, em Nova Iorque, apenas em 2017. Clique no título para ler texto da cientista Emanuelle Goes sobre este caso e outro de uso .
Políticas raciais da mensuração médica: a capacidade pulmonar
A invenção do espirômetro, instrumento que mede a capacidade pulmonar, é um dos exemplos mais chocantes da incorporação do racismo em tecnologias que se vendem como neutras. A questionável diferença entre capacidade pulmonar entre "raças" nasceu de experimentos escravistas e até o século XXI tem sido usada para negar indenizações trabalhistas a pessoas negras. Clique no título para ler artigo da Lundy Braun ou para referências em português, leia artigo da Ruha Benjamin ou trechos traduzidos em meu material de aula.

 
A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil
Estudo pioneiro em 2017 descobriu que mulheres negras grávidas e parturientes tem seus relatos sobre dor frequentemente ignorados e recebem sistematicamente menos procedimentos de alívio dessa dor, como anestesia. Clique no título para ler o artigo original ou aqui para um resumo no Geledés.
Economias políticas da doença e da saúde: população, raça e letalidade na experimentação farmacêutica
Artigo de Rosana Castro discute as associações entre categorizações raciais, precariedades no acesso à saúde e oportunidades de realização de experimentos e as caracterizações desses empreendimentos globais como um negócio e uma dádiva. Clique no título para ler o artigo ou na imagem para ver entrevista sobre sua premiada tese.
Algoritmos de planos de saúde públicos e privados nos EUA penalizam pacientes negros
Estudo mostrou que algoritmos de análise de risco foram usados para penalizar pacientes negros, usando métricas erradas. Historicamente menos dinheiro tem sido gasto no cuidado de pacientes negros com o mesmo nível de necessidade, e o algoritmo foi construído de forma a concluir a partir destes dados que os pacientes negros estavam mais saudáveis e portanto precisariam de menos cuidados.
PARA LER E CITAR BRASIS, ÁFRICA E AFRODIÁSPORA
Jurema Werneck
Graduada em Medicina, mestre em Engenharia de Produção e Doutora em Comunicação e Cultura, Jurema Werneck é uma das pioneiras em estudos multidisciplinares sobre saúde e população negra no Brasil e atual diretora executiva da Anistia Internacional no país. Em 2000 organizou o livro "O Livro da Saúde das Mulheres Negras: Nossos Passos Vêm de Longe". Recomendo para início os trabalhos Racismo institucional e saúde da população negra e Iniqüidades raciais em saúde e políticas de enfrentamento: as experiências do Canadá, Estados Unidos, África do Sul e Reino Unido. Acompanhe-a também no Twitter e série de vídeos no YouTube como "Mulheres Negras no SUS".
Elaine Rabello
Doutora em Saúde Coletiva pela UERJ e em pós-doutorado na Wageningen University, Elaine Rabello tem aberto caminhos para o uso da perspectiva de Métodos Digitais no campo da saúde no país. Entre seus projetos, estão "Visualising engagement on Zika epidemic" e "How is health being depicted in online debates?  The cases of ‘detox practices’ and ‘vaccines". Em português, foi recém-lançado o capítulo "Métodos digitais nos estudos em saúde – mapeando usos e propondo sentidos".
Elaine Nsoesie
Doutora em Epidemiologia Computacional, Elaine Nsoesie aplica metodologias de ciência de dados a questões de saúde global. De origem camaronesa, ensina na Boston University. Entre seus trabalhos principais estão: "Spatio-temporal dynamics of measles outbreaks in Cameroon", "Celebrity Miscarriage Disclosures Increase Discussion on Twitter" e "A systematic review of studies on forecasting the dynamics of influenza outbreaks". Também mantem o projeto Rethé, que promove informação sobre escrita acadêmica para estudantes africanos.
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Livro - "Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olharers afrodiaspóricos" http://www.literarua.com.br/livro/olhares-afrodiasporicos
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